Pesquisa

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As representações da África e dos africanos em caricaturas de revistas ilustradas da Europa e do Brasil (1884-1919)

Projeto de pesquisa aprovado no Edital UNIVERSAL MCTI/CNPq Nº 14/2013.

Neste Projeto de Pesquisa propomos a elaboração de um estudo sobre as representações da África e dos africanos em caricaturas de revistas ilustradas da Europa e do Brasil. O período compreendido tem como marcos referenciais a Conferência de Berlim (1884/85) e o Tratado de Versalhes (1919). Serão analisadas a produção de caricaturas de várias revistas ilustradas nos principais centros metropolitanos (Londres, Paris, Lisboa e Berlim) de países europeus envolvidos na “Partilha da África” e também de periódicos da imprensa nacional, notadamente do Rio de Janeiro.

Integrantes: Dr. Sílvio Marcus de Souza Correa (coordenador),  Eric Alves SantosKennya Souza.


Tese

O colonialismo espelhado nas águas do Cunene (1884 – 1975)

Simoni Mendes

Localizado no sul de Angola, o rio Cunene foi elemento importante durante a ocupação portuguesa no período colonial angolano. Situado em região seca, o rio e suas cacimbas foram essenciais para a vida de grupos locais, como os indígenas do Cuamato e Cuanhama. Além disso, por constituir parte da fronteira entre Angola e o Sudoeste Africano, o rio Cunene foi objeto de debate constante entre o governo português e a União Sul Africana, então mandatária do Sudoeste. Sendo assim, esta tese tem por objetivo analisar os usos das águas do rio Cunene durante o período colonial, considerando a importância do rio para as populações nativas e para as guerras coloniais do século XX. Bem como, analisar as propostas e projetos desenvolvidos, como as propostas de desvio das águas para o deserto do Kalahari e as barragens e usinas hidrelétricas idealizadas pelo Plano do Cunene durante o Estado Novo português.

 

Entre o afro e o luso: a política africana do Brasil para as guerras de independência em Angola e Moçambique (1964-1975)

Tiago Alves

A presente pesquisa busca analisar a política africana do Brasil para as guerras coloniais em Angola e Moçambique entre 1964 e 1975, problematizando os diagnósticos e os prognósticos da ditadura civil-militar para esses conflitos. Considerando que o Brasil era uma ex-colônia de Portugal, e que já havia alcançado a independência, essa condição colocou o país numa encruzilhada. De um lado o Estado Novo português almejou o apoio à manutenção do colonialismo, por outro lado os movimentos nacionalistas aguardavam a solidariedade com a causa independentista. Portanto, o trabalho pretende desvelar os interesses dos governos brasileiros, suas deliberações e suas políticas para as guerras anticoloniais que ocorreram em Angola e Moçambique, levando em conta esse cenário dual.

 


Dissertação

Imagens do Império: mulheres africanas pelas lentes coloniais alemãs (1884-1914)

Ana Carolina Schveitzer

O colonialismo alemão foi uma experiência de poucas décadas, de 1884 a 1914.  Neste período, o desenvolvimento da tecnologia fotográfica, como a invenção e difusão da máquina portátil, possibilitou a propagação e o uso de fotografias nas colônias europeias em África. Logo, diferentes imagens sobre estas regiões foram produzidas e circularam em contexto colonial, promovendo um conhecimento visual a respeito do continente africano. Além de imagens sobre as paisagens, a fauna e a estrutura das colônias, também os seus habitantes foram focos das câmeras deste período. Esta pesquisa tem por escopo, analisar de que modo as imagens de mulheres africanas foram mobilizadas para a construção deste conhecimento visual em contexto colonial. Para tanto, foram analisadas fotografias publicadas em três veículos de divulgação da imagem fotográfica: a imprensa ilustrada, a literatura colonial e os cartões postais. O estudo do circuito social dessas fotografias permitiu refletir acerca das imagens como produtos do colonialismo, o que motivou uma economia visual colonial.  A partir da perspectiva da História Visual, a análise destas imagens identificou as particularidades de cada veículo. Bem como, cruzamentos e diálogos entre eles.


Trabalhos de conclusão de curso e iniciação científica

 

A importância da Punch Magazine no estudo sobre o grande período do Imperialismo Britânico no século XIX vem sendo pouco abordada. Com suas caricaturas satíricas, o periódico, auxiliou na disseminação da ideologia imperialista, imprimindo uma cultura, e abrindo espaço para o que podemos chamar de “império informal”.1 O estudo deste trabalho esta centrado em analisar as caricaturas desta revista ilustrada entre os períodos de 1881 a 1902 dentro da temática da Guerra Anglo-Bôer. A Guerra se trata de um conflito entre “brancos” e disputa territorial na África Austral, entre o Império Britânico e os Bôeres (descendentes de holandeses e alemães) durante os períodos de 1880 a 1881 e de 1899 a 1902. A grande circulação da Punch trouxe impactos na política imperialista britânica e nas relações entre ingleses e bôeres ao longo do conflito, tendo sido um grande instrumento do império britânico.
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CARICATURAS DO COLONIALISMO PORTUGUÊS EM ÁFRICA: Identidade, alteridade e representação na imprensa satírica da primeira república portuguesa (1910-1924).
Diego Schibelinski
Esta pesquisa tem como problema central tentar identificar e compreender a maneira como as colônias de Portugal em África eram representadas durante o período da Primeira República portuguesa – 1910-19. E, então, a partir disso, tentar compreender também de que forma a estrutura colonial vigente durante esse período e a construção da identidade de Portugal como nação colonizadora, interferiram e/ou influenciaram na criação de uma alteridade africana. Os documentos que subsidiam tal análise são um grupo de caricaturas publicadas na imprensa ilustrada humorística de Portugal, do período citado. O grupo de caricaturas analisado é resultante de uma pesquisa realizada entre alguns dos principais periódicos desta esfera editorial, publicados entre os anos de 1909 e 1926, e que apresentam representações e materializações diretas das colônias portuguesas.
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Alteridades emasculadas: caça esportiva e cenas da masculinidade na África colonial

Ruben Souza

Ao longo do colonialismo, a prática da caça esportiva granjeou destaque nas páginas de revistas ilustradas, álbuns e nas lentes de diversos fotógrafos, profissionais e amadores. Ainda uma literatura produzida concomitante o período de administração colonial se valeu de registros visuais na representação de um esporte que adquiriu contornos bastante particulares em situação colonial. Tais imagens recorreram a signos comuns à seus pares, baseados em representações de masculinidade, mas recorreram também a omissões (ou emasculações) com o fito de ratificar tipos apropriados à prática do esporte. Esta pesquisa tem por fito descortinar alguns signos que remontam às representações masculinas, bem como as omissões que permitem ao caçador afirmar sua identidade (e protagonismo) europeia, mas também sua masculinidade nos espaços coloniais orientada, entretanto, também a um público metropolitano.